segunda-feira, 15 de setembro de 2025

O Tarot e o Simbolismo Surrealista


O Tarot, um baralho de cartas tradicionalmente usado para adivinhação e autoconhecimento, e o movimento surrealista, que revolucionou a arte e a cultura no século XX, compartilham uma profunda ligação com o simbolismo e o inconsciente. Ambos exploram os mistérios da psique humana e utilizam símbolos para revelar realidades ocultas, oferecendo uma compreensão mais profunda da condição humana, da espiritualidade e do destino.


1. A Relação entre o Tarot e o Inconsciente

O Tarot tem uma forte conexão com o inconsciente coletivo, um conceito desenvolvido por Carl Jung, que descreve um conjunto de imagens e símbolos universais que fazem parte de todos os seres humanos, independentemente de sua cultura. O baralho de Tarot é repleto de símbolos arquetípicos – como o Louco, o Mago, a Morte e o Sol – que representam aspectos universais da experiência humana, como o início de uma jornada, a busca por poder, a transformação e a iluminação.

Da mesma forma, o movimento surrealista, fundado por artistas como André Breton e Salvador Dalí, buscou liberar a criatividade do inconsciente, dando vazão a imagens oníricas e irracionais. Surrealistas acreditavam que ao explorar o inconsciente, poderiam revelar verdades mais profundas, sem as limitações da razão e da lógica. Os artistas surrealistas, como Dalí, usaram símbolos e imagens absurdas para acessar camadas mais profundas da mente humana, algo que também é central no Tarot.


2. O Tarot como Arte Visual e Espiritual

A arte surrealista e o Tarot compartilham uma exploração do simbolismo e da metafísica. As imagens do Tarot, com seus arquetípicos e seus códigos secretos, podem ser comparadas ao uso de imagens surreais que os artistas buscavam no movimento surrealista. Para o surrealismo, a arte não era apenas um reflexo da realidade, mas uma forma de acessar a dimensão espiritual e as camadas mais profundas da mente. Da mesma forma, o Tarot usa suas imagens simbólicas para conectar o consulente com o divino e o inconsciente.

O famoso baralho de Tarot de Marseille, por exemplo, possui figuras e cenas que podem ser lidas de forma semelhante a uma pintura surrealista. O baralho de Tarot de Thoth, criado por Aleister Crowley e a artista Lady Frieda Harris, por exemplo, é um exemplo claro de uma interpretação simbólica profundamente surrealista, com imagens que conectam a astrologia, alquimia e cabala.


3. Simbolismo Comum no Tarot e no Surrealismo

Tanto o Tarot quanto o surrealismo usam o simbolismo para transmitir significados mais profundos, muitas vezes além da compreensão racional. Os surrealistas procuravam expressar o inconsciente através de imagens ilógicas e oníricas, como o relógio derretido de Salvador Dalí ou os rostos distorcidos de Max Ernst. Esses símbolos são uma tentativa de representar realidades alternativas, muitas vezes ligadas ao mundo dos sonhos ou a estados alterados de consciência, algo que também é encontrado no Tarot.

Alguns dos símbolos que aparecem tanto no Tarot quanto no surrealismo incluem:

  • A Morte: No Tarot, a carta da Morte não se refere à morte física, mas a um ciclo de transformação e renascimento. No surrealismo, a morte era muitas vezes representada de forma a quebrar os limites entre a vida e a morte, como um simbolismo de transformação.

  • O Sol: No Tarot, o Sol representa a clareza, o crescimento e a energia positiva. O simbolismo do Sol também era frequente nas obras surrealistas, como no trabalho de Dalí, onde ele usava a luz para explorar temas de iluminação espiritual e o despertar da consciência.

  • O Louco: O Louco é uma carta do Tarot que representa uma jornada de descoberta, inocência e liberação. Da mesma forma, o surrealismo, com sua busca pela liberdade da expressão artística, celebrava o absurdo, o irracional e o inocente em sua forma mais pura.


4. O Uso do Tarot por Artistas Surrealistas

Alguns artistas surrealistas eram particularmente fascinados pelo Tarot e seus símbolos. Salvador Dalí, em particular, fez referência ao Tarot em várias de suas obras, inclusive criando seu próprio baralho de cartas de Tarot em 1984. Ele usou o simbolismo do Tarot para criar imagens que exploravam a psique humana, a espiritualidade e o simbolismo dos arquétipos. As obras de Dalí já mostravam um interesse em representar o inconsciente e o místico, sendo o Tarot uma extensão natural dessa busca.

Outro artista surrealista, Marcel Duchamp, também demonstrou interesse no Tarot, criando obras que incorporavam a ideia de jogo de cartas e o significado simbólico por trás dessas imagens.


5. O Tarot e a Exploração do Inconsciente Coletivo

O surrealismo, em sua essência, era uma tentativa de explorar as profundezas do inconsciente, com o objetivo de liberar o potencial criativo humano. O Tarot, da mesma forma, busca acessar as camadas mais profundas da mente e permitir que o consulente entre em contato com aspectos de sua psique que não são imediatamente acessíveis à consciência. Ambos os sistemas – o Tarot e o surrealismo – compartilham a ideia de que as imagens e símbolos têm o poder de desbloquear as verdades ocultas dentro de nós.


Conclusão

A conexão entre o Tarot e o simbolismo surrealista é clara: ambos buscam explorar o inconsciente e as camadas ocultas da mente humana, utilizando símbolos arquetípicos para acessar realidades superiores. Seja no Tarot ou nas pinturas surrealistas, a ideia de que a arte e os símbolos podem servir como portais para outra dimensão – seja ela espiritual, psíquica ou transcendental – é uma força fundamental. Ambos oferecem uma maneira de conectar o mundo físico e o espiritual, transformando a dor, a dúvida e a busca interior em algo mais profundo e revelador.

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