sexta-feira, 6 de março de 2026

Arte e autoestima: criando sua própria identidade

A autoestima não nasce pronta.
Ela é construída.
E, muitas vezes, reconstruída.
Desde cedo, aprendemos quem deveríamos ser.
O que é bonito.
O que é aceitável.
O que é sucesso.
Sem perceber, começamos a nos moldar para caber.
É aqui que a arte entra.
Criar é um ato de afirmação.
Quando alguém cria, está dizendo:
“Eu existo. Eu sinto. Eu vejo o mundo dessa forma.”
A arte devolve algo que a comparação tira: identidade.
Pesquisas na área da psicologia mostram que atividades criativas fortalecem a percepção de autoeficácia — a crença de que somos capazes de produzir, transformar e realizar. E quando alguém percebe que consegue criar algo do zero, a sensação interna muda.
Não é sobre talento.
É sobre expressão.
Quando você desenha, escreve, modela, costura, pinta ou constrói algo com as próprias mãos, há um diálogo silencioso acontecendo: você começa a se escutar.
E quanto mais se escuta, menos depende de validação externa.
A autoestima saudável não é se achar melhor que os outros.
É saber quem você é — mesmo que ninguém esteja aplaudindo.
Criar ajuda a organizar emoções.
Ajuda a entender dores.
Ajuda a transformar experiências em linguagem.
A arte funciona como espelho.
Mostra partes que estavam escondidas.
Revela gostos, preferências, visões de mundo.
E, aos poucos, a identidade deixa de ser algo copiado
e passa a ser algo vivido.
Existe também algo poderoso no processo: a imperfeição.
Quando você cria, algo pode sair diferente do esperado.
E está tudo bem.
Aprender a aceitar o próprio processo criativo ensina algo maior:
aceitar o próprio processo de vida.
Autoestima não é ausência de falhas.
É acolhimento das próprias fases.
Criar sua própria identidade exige coragem para sair do padrão.
Para experimentar.
Para errar.
Para sustentar escolhas.
E a arte treina exatamente isso.
Quanto mais você cria, menos tenta se encaixar.
Quanto mais se expressa, menos precisa se comparar.
Quanto mais assume sua estética, sua visão, sua forma de fazer —
mais sólida sua identidade se torna.
No fim, arte e autoestima caminham juntas.
Porque criar não é apenas produzir algo bonito.
É construir a si mesmo.
E toda vez que alguém escolhe se expressar com verdade,
está, silenciosamente, dizendo:
“Eu me autorizo a ser quem sou.”